SINOPSE DO ENREDO - UNIDOS DA PIEDADE

"NO MUNDO E NA VIDA DE CARA PINTADA COM A PIEDADE NA AVENIDA"


3000 anos a.C.

A pintura facial e corporal como papel estético, terapêutico e religioso.

Foi no Egito que foram encontrados os primeiros registros sobre o uso de cosméticos e maquiagem. Maquiagem e cosméticos não eram considerados um luxo, e a maioria das pessoas, dos simples camponeses até o faraó, as usavam.

O ideal de beleza egípcio foi bem representado por Cleópatra, que banhava-se em leite, cobria as faces em argila e maquiava seus olhos com pó de KOHL.

A Maquiagem para os olhos, no Egito antigo, era extremamente elaborada e criativa, a aparência amendoada tornou-se característica dos antigos egípcios. A maquiagem egípcia era refinada: fonte de embelezamento, elas também possuíam um valor terapêutico e as maquiagens do Antigo Império eram verdadeiros tratamentos para os olhos e peles.

No Egito, os faraós consideravam a maquiagem dos olhos fundamental, era uma espécie de proteção dos olhos contra “Rá”, o Deus Sol. Além do ponto de vista mítico, os egípcios usavam essa pintura nos olhos e sobrancelhas, como escudo para proteção às tempestades de ventos e areia do deserto. As maquiagens egípcias também estavam associadas ao cultos de deuses. Este contexto religioso provavelmente levou os egípcios a trabalharem o conteúdo dos cosméticos para transforma-los em verdadeiros medicamentos.

Foi no Egito que a cor carmim ganhou popularidade a qual perdura até hoje! Historiadores alegam que a rainha Cleópatra foi responsável pelo pontapé inicial rumo à popularização dos lábios vermelhos!

Depois dos egípcios, os indianos foram povos mais antigos a fazerem uso da maquiagem. O sentido religioso era o fator primordial, pois essas civilizações acreditavam que os olhos eram a “alma” da pessoa. Os indianos utilizavam o “Kajal” nos olhos, obtida pela fuligem de madeira de sândalo, unida ao óleo de récimo ou de sésamo.

O Kama Sutra, escrito entre o séculos I e IV, define a mulher ideal como “Padimini”, aquela que tem a pele fina, macia e clara como a lótus amarela. Mas beleza não é tudo, principalmente nas civilizações orientais, um antigo cânone Budista afirma que a beleza de teu corpo esteja sempre em colóquio com a beleza da tua alma, enaltecendo os valores artísticos do primeiro, à luz dos valores espirituais do segundo.

 

Cada civilização possuía suas características, necessidades e costumes para sua sobrevivência.

Os Africanos, uma das mais antigas civilizações da história da humanidade, se dividiam em várias tribos, com costumes e tradições diversas, mas todas tinham a característica da pintura facial e corporal. Eram pinturas com diferentes padrões e símbolos, como parte da tradição de muitas culturas. Essa pintura era feita de acordo com os rituais tribais e atividades culturais de cada tribo que tinha diferentes propósitos e significados para eles; como a caça, as bodas, nascimento, status tribais, rituais de adoração aos deuses e para guerrear. As pinturas eram feitas com vegetais, barro, ocre vermelho e amarelo extraídos das rochas vulcânicas, cal branca e seiva de algumas plantas que possuem pigmentos fortes.

Ao contrário do que muitos pensam, a pintura corporal Indígena tem seu significado e suas funções sociais estabelecidas na tribo onde é feita. Essa pintura, para os índios tem sentidos diversos, não somente na vaidade, ou na busca pela estética perfeita, mas pelos valores que são considerados e transmitidos através dessa arte. Os materiais utilizados normalmente são tintas extraída de vegetais, madeiras, flores e frutos. Os índios brasileiros utilizam o “urucum” que produz o vermelho e o “genipapo” da qual se adquire uma coloração azul marinho, quase preto, o pó de carvão que é utilizada no corpo sob uma camada de suco de pau de leite, e o calcário da qual se extrai a cor branca. Trata-se de uma pintura abstrata, observa a natureza, não a desenham, mas ao contrário do que se pensam não devemos chamá-la de primitiva.

Há algumas décadas, estudiosos perceberam que o grafismo dos povos indígenas ultrapassa o desejo de beleza, trata-se sim, de um código de comunicação complexo, que exprime a concepção que um grupo indígena tem sobre um individuo e suas relações com os outros índios, com os espíritos, com o meio onde vivem. A pintura que começa no rosto e passa por parte do corpo, funcionam como código social: cada uma delas indicava uma situação específica (nascimento de filhos, bodas, rituais aos deuses, luto e guerra). Esses rituais eram precedidos por dias de preparativos, onde as índias ficavam responsáveis pela pintura corporal dos índios, todos os participantes tinham parte do corpo pintados e adornados com penas, depois seguiam com uma dança ou jogos alucinantes, antes de escolherem a vítima ao sacrifício. Em alguns desses sacrifícios, eles retiravam o coração, ainda pulsando e ofereciam aos deuses, em seguida usavam o sangue das vítimas para terminar as pinturas de seus rostos.

Mas o ponto máximo dessa pintura corporal é por ocasião dos rituais de honra a seus deuses. A tribo Maia, que viveu a 2500 anos a.C, acreditava que a função do ser humano na terra era venerar os deuses. Sem o homem para realizar os rituais adequados, os deuses morreriam, o que acarretaria o desaparecimento do universo. Por conta disso, na vida cotidiana ele se dedicava, à realização das mais diferentes cerimônias, nas quais, para alimentar e apaziguar os deuses, eram comuns as oferendas de flores, frutas e alimentos, que chegavam a ser preparados. Mas o ritual mais importante eram os sacrifícios de animais e de seres humanos. Os deuses, pensavam os maias, precisam de sangue, a energia vital e sagrada.

Seguindo sua viagem pelo mundo a maquiagem chega à terra dos gregos, dos deuses do olimpo. A cosmética é considerada uma ciência afiliada à medicina e tinha como finalidade preservar o físico. Por isso a maquiagem deveria ser sempre discreta e não destruir as harmonias criadas pela natureza. A tez deveria ser branca (muitas vezes maquiadas com gesso e cal, as bochechas rosadas, os olhos maquiados com cinza ou açafrão e os cílios escurecidos). Nesta época, a sobrancelha era retocada com maquiagem preta. Platão considerava a arte de se maquiar como algo tão indigno que não deveria ser praticado por cidadãos livres. Mesmo assim pode ter sido na Grécia antiga que surgiu o primeiro antepassado do rouge. Segundo relatos do dramaturgo Aristófanes, na Atenas do século V a.C, as mulheres já utilizavam matérias primas como gordura e tinta vermelha para produzir esse tipo de efeito corado nas faces. A tintura era obtida de raízes vegetais.

A procedência dos Ciganos ou Roma, foi objeto de todo o tipo de fantasia. Os ciganos que seguem as tradições antigas, vivem em tzaras ( tendas), viajam de um lugar para o outro sem destino certo, usam carroças e cavalos, e não se misturam com os gajos (os não ciganos), suas festas são fechadas. A mulher cigana é protegida pelo marido quando casada ou pelos pais ou chefes dos clãs, quando solteiras. Usam perfumes, cremes à base de rosas, flores e ervas fortes, esses produtos de beleza são receitas secretas da própria comunidade, assim como os cosméticos, batons e outros tipos de maquiagem. A maquiagem era a base de óleos vegetais, fuligem de madeiras, raízes, flores e frutos. As cerimônias nos acampamentos ciganos duravam vários dias, com esmerada produção visual, por parte das mulheres que seduziam por sua beleza e encantamento.

Na Roma antiga, a beleza também consistia na obtenção ou manutenção da tez pálida para as mulheres (para isso as mulheres romanas usavam máscaras noturnas, feitas com ingredientes como farinha de favas, miolo de pão e leite de jumenta para melhorar e clarear a pele). Apresentar uma pele não bronzeada tinha um significado social: implicava que a pessoa podia viver ociosamente e que era citadina (ou seja, que possuía um bom status social). Também na Roma antiga, as mulheres misturavam ingredientes como papa de cevadas, chifre de veado moído, mel e salitre para produzir pasta a base de gordura que eram aplicadas nos lábios, como batom primitivo. Mas sua principal função era a de proteger os lábios do ressecamento.

Mas eis que o que ornava acabou-se, quando na Idade Média, no século IV, a Peste Negra assolou a Europa. Por anos a fio a população europeia quase esqueceu a arte de se maquiar. As duras condições de vida, as guerras constantes, medicina precária, pragas, falta de comida e toda essa conjuntura levou ao período em que muito pouco ou nenhum avanço nas artes, ciências e demais áreas do conhecimento. Nesse ambiente, a igreja era a única presença constante na mente dos europeus, ela era responsável pela ditadura e manutenção das leis e da moda. O clero condenou o uso dos cosméticos, relacionou o batom vermelho e à maquiagem aos cultos satânicos, e sendo assim, era terminantemente proibido, a não ser, somente, pelos atores em peças teatrais e a população feminina de menor estátua (leia-se, prostitutas).

Nesse período das trevas, onde a beleza em geral foi condenada ao esquecimento, a igreja instituiu a inquisição e a caça “as bruxas”.
Foi um elemento histórico da Idade Média entre o século XV e XVI. A caça as bruxas admitiu diferentes formas, dependendo das regiões em que ocorreu, porém, não perdeu sua característica principal, uma massiva campanha judicial realizada pela igreja e pela classe dominante, contra as mulheres, geralmente, mulheres formadoras de opinião que lutavam contra o poder, parteiras, enfermeiras, mulheres bonitas e sedutoras que se maquiavam e não se rendiam ao ego dos poderosos ou que despertavam desejos em padres celibatários ou homens casados. Eram perseguidas pela inquisição, acusadas de bruxarias e queimadas vivas em fogueiras, em praça pública para servirem de exemplo.

Após esse período das trevas, houve um grande avanço em todas as áreas. Aconteceu o que a história chama de Renascimento, que teve seu início na Itália, mas se espalhou por toda a Europa nos séculos XIV,XV e XVI. Nesse período a mulher era nobre, bonita e parecia ter saído de um sonho. Usava uma pele mais pálida possível e o blush teve o seu apogeu nesse período. A idéia de usar o blash era fazer com que a brancura da pele parecesse natural e mais saudável. Foi a rainha da França, Catarina de Médici quem trouxe a maquiagem de volta às mulheres, lançando novo conceito de beleza. No período do século XVI a XVIII a maquiagem chegou ao auge. Homens e mulheres pintavam seus rostos e corpos com pó de arroz, ou farinha de trigo. A pele branca era para dar a aparência de pessoa saudável. A boca e as bochechas eram rosadas e os olhos delineados de preto. Com a epidemia da varíola na Europa, no século XVII, contribuiu para o uso da maquiagem, pois na época não havia tratamento para as feridas então as mulheres se maquiavam para camuflar as imperfeições causadas pela doença. Nessa época surgiram as moscas de beleza, uma pinta preta desenhada e em cada local tinha um significado.

No século XVIII, a igreja fracassou ao tentar impedir o aparecimento da beleza. Luiz XIV, “o Rei Sol”, o rei da França na época, quis fazer da França o maior foco do poder e do glamour. Trata-se de um período conhecido pelo luxo e extravagância. Tinham tamanho fascínio pela maquiagem, que a rainha Maria Antonieta possuía uma grande variedades desombras, blushs e bases rosadas. No Brasil nesse mesmo período, Chica da Silva foi uma escrava que viveu na segunda metade do século XVIII, depois de alforriada, viveu no Arraial do Tijuco, atual Diamantina, manteve uma relação durante quinze anos com o rico contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira, com quem teve 13 filhos. Atingiu uma posição de destaque na sociedade, por ser valente e abusada, e para ser aceita na corte pintava sua cara de branco e andava cercada de escravos negros, na época em que a questão da escravatura era muito evidente.

O México é um país com uma história bastante complexa, a indícios de povos que habitavam a região há mais de vinte mil anos. Os primeiros habitantes da região, os Astecas, que hoje conhecemos como México, construíram observatórios, desenvolveram calendário com 365 dias, construíram aquedutos, utilizavam hieróglifos para escrever, fizeram avanços em matemática e conheciam a álgebra. Foi nessa região que surgiram as “cochonilhas”, pequenos insetos parasitas originários dessa região do México, conhecidos por atacarem plantações causando muitas perdas agrícolas. Apesar de serem potentes ameaças as plantações, as cochonilhas se destacam também na produção de medicamentos, verniz cera, laca, e principalmente o corante carmim. Esse corante é usado até os dias atuais.

A Commédia Dell`art surgiu na Itália no começo do século XVI, inicialmente significava não mais que uma delimitação em face do teatro literário culto, a comédia erudita. Os atores Dell`art eram, no sentido original da palavra, artesãos de sua arte, a do teatro. Foram, ao contrário dos grupos amadores acadêmicos, os primeiros atores profissionais.

O Pierrot, Arlequim e Colombina eram personagem da comédia Dell`art. O pierrot, o personagem de um palhaço triste apaixonado. A colombina, pivô de um triângulo amoroso que ficaria famoso no mundo todo. Era refinada, romântica, serviçal, cantava e dançava graciosamente. O Arlequim, o espertalhão, preguiçoso e insolente, que tentava convencer a todos de sua ingenuidade e estupidez.

No Japão do século IX ao XII, período de Heian, a valorização da pele branca era regra geral. Para obter a aparência extremamente clara as mulheres aplicavam pó espesso e argiloso, feito de farinha de arroz, chamado Oshiroi. Depois passaram também a usar o Bene, pasta feita do estrato de açafrão, para colorir as maçãs do rosto.

O teatro KABUKI é uma forma de teatro Japonês, conhecida pela estilização do drama e pela elaborada maquiagem usada pelos seus atores. Seu significado é o canto e a dança. Em sua origem o Teatro Kabuki era predominantemente feminino, porém muitas dançarinas se prostituíram, e escândalos de samurais envolvidos com elas, na capital, foram a causa da proibição.

No ano de 1629, esse tipo de teatro foi proibido pelo governo. O espetáculo passou a ser encenado então por rapazes que interpretavam papeis femininos. Contemporaneamente, o Teatro Kabuki tornou-se um espetáculo popular que combina realismo e formalismo, música e dança, mímica, encenação e figurinos, implicando numa constante interação entre atores e platéia.

A importância da maquiagem artística

O ato da caracterização através da maquiagem, é dentro do trabalho teatral (e cinematográfico), um dos elementos de composição visual do personagem. Juntamente com o figurino e demais assessórios, auxilia o ator a vestir características e compor uma determinada figura que surge em cena e conduz a platéia ao universo proposto pelo espetáculo. Varias etapas se sucedem desde o estudo da maquiagem, de conformidade com a pesquisa do figurino, até o produto final.
A maquiagem artística então, é aquele “toque mágico” que aliando-se ao trabalho corporal, vocal e psicológico, fará com que uma platéia possa “visualizar” as personagens dentro de um mundo, uma época e uma realidade espelhada no palco ou na tela. ( Fernando Pompeu).

A primeira metade dos anos 40, foi passada em clima de guerra mundial. Durante a segunda guerra mundial que acabou em 1945, a industria da maquiagem trabalhava para o exercito, fabricando camuflagem para os homens que estavam na guerra, e como todo o resto, a maquiagem para as mulheres estava altamente racionada.

Charles Chaplin foi ator, cineasta, dançarino, diretor e produtor inglês. Também conhecido por “Carlito”, foi o mais famoso artista cinematográfico da era do cinema mudo, considerado um dos pioneiros da arte circense, o palhaço. Ficou notabilizado por suas mímicas e comédias do gênero pastelão. O personagem que mais marcou sua carreira foi o “Vagabundo”, o andarilho pobretão, com as maneiras refinadas e dignidade de um cavalheiro, vestido com um casaco esgarçado, calças e sapatos desgastados e mais largos que seu número, cara branca, um chapéu coco, uma bengala e seu marcante bigode. Iniciou sua carreira em 1908 onde se emprega em teatro de variedades e faz sucesso como mímico. Em 1910 fez sua primeira turnê nos Estados Unidos. Charles Chaplin dirigiu, produziu e editou vários curtas e longas metragens. O cinema mudo era entendido por todos.

Desde a antiga Grécia os palhaços fazem parte das comédias teatrais, já no inicio da Idade Média, com os teatros fechados, artistas perambulavam por toda parte para atuar onde pudessem, para sobreviver, participando de feiras em várias regiões. Os palhaços contavam contos, cantavam baladas, eram músicos, malabaristas, mímicos, acrobatas, equilibristas e toda sorte de artistas. Foi também na idade média que surgiu a figura do bufão, o bobo da corte, alguns eram realmente bobos, mas a maioria eram inteligentes, se faziam de estúpidos para alegrar as pessoas com a arte do palhaço.

Porque os palhaços pintam a cara de branco:

Isso vem de longe, um padeiro Frances que trabalhava na noite como cômico, chegou um dia atrasado e não deu pra lavar o rosto que estava sujo de farinha. Ao entrar em cena provocou risos, e os palhaços começaram a jogar farinha uns nos outros e passaram a usar o rosto branco. A cara branca fez tanto sucesso entre os enfarinhados, que até hoje usam essa pintura “branca”.

O Hippie acabou virando modismo na década de 70, principalmente durante o festival de Woodstock em New York, onde o estilo acabou influenciando milhares de pessoas. As musicas dos Beatles, Pink Floyd e do Yes, eram influenciadas pelo psicodelismo que acabou predominando na moda e maquiagem também. Essa década ganhou desenhos e cores psicodélicas, deixando a moda e as maquiagens dos anos setenta, muito mais coloridas.

Em 1973 surge Kiss, uma banda de hard rock formada nos Estados Unidos por Paul Stanley e Jimmy Symmons. Conhecida mundialmente por suas maquiagens e seus concertos que incluem guitarras esfumaçantes, cuspir fogo, sangue, pirotecnias e outros efeitos. Constituem num dos maiores impactos culturais da década de 70, valendo-se de roupas e maquiagens nunca antes vistas, e que marcariam a história da música.

A pintura dos rostos dos integrantes da banda Kiss está para a banda, assim com o uniforme colegial está para Angus Young. Adotado para chamar a atenção ainda no tempo que o grupo se chamava Wicked Lester, o artifício foi utilizado até 1983 quando em outro golpe de marketing os integrantes revelaram as verdadeiras faces e passaram a se apresentar de cara limpa. Mas a tradição ou a perspectiva de faturar uma boa grana se impôs e, desde 1996 o quarteto voltou a encarnar os personagens que transformaram o Kiss em um clássico do rock. Essa pintura chamada corpe paint, é pra dar um ar mais sombrio e uma atmosfera mais obscura no visual.

Na década de 80 surgem os glosses, que eram chamados de brilho labial. As novelas ditam costumes e em Dancing Days, as bocas eram coloridas e espelhadas como verniz. Depois houve uma época que, em que usar o gloss transparente deixava os lábios sensuais. Na novela Ti – Ti - Ti, o famoso costureiro Victor Valentim, lança o batom Boka Loka que fazia o maior sucesso entre a mulherada. O batom tinha fama de exercer um enorme poder de sedução e atrair beijos. Blushes de todas as cores, um verdadeiro arco – Iris de sombra , toneladas de delineadores, bem como batons de cores alegres e vibrantes povoaram os anos oitenta, e todos ao mesmo tempo! As sombras eram vibrantes e coloridas.

Timbalada - a história de amor e sucesso começou em 1991. A banda foi criada no bairro de Candeal em salvador e lançada por Carlinhos Brown com seu som característico que vem do timbal. Encantou multidões desde o começo em Salvador e se espalhou para o mundo. A pintura dos integrantes surgiu, pois para o artista Carlinhos Brown, pintar o corpo é um ato de respeito, remete a Iansã e a também ao seu mestre “Pintado” do bangô. A primeira vez que um músico se pintou foi antes de subir ao palco e por falta de figurino para fazer um show, como seu nome era Mestre Pintado e sua roupa não havia chegado, decidiu se pintar. No dia seguinte tinha um ensaio numa revista importante, que lhe daria a capa e Calinhos Brown decidiu que todos fariam a pintura e hoje se tornou a marca registrada, além da batida do Timbal, a pintura corporal e figurino afro.

Na Indústria cinematográfica vários filmes ganharam prêmios de melhor maquiagem, entre eles: o filme Avatar, X-Men, 300, Alice no país das Maravilhas, dentre outros.

Avatar é um filme americano de ficção científica de 2009, escrito e dirigido por James Cameron.

300 é um filme norte americano de fantasia e guerra de 2007. Baseado nas fictícias batalhas de Termópilas, durante as guerras Persas, o filme foi muito elogiado pelo acabamento e refinamento de seus efeitos visuais e maquiagem, sendo indicado para 27 prêmios, recebendo nove ao todo, inclusive o de efeito visual, provando o poder da transformação que a maquiagem possibilita.

Caras pintadas foi o nome pelo qual ficou conhecido o Movimento Estudantil Brasileiro realizado no decorrer do ano 1992, que teve como objetivo principal as grandes lutas por melhoria no ensino, saúde, educação e a revolta contra aumento nos preços de passagens. Esse movimento culminou com o impeachment do então presidente do Brasil, Fernando Collor de Mello. O nome Caras Pintadas referiu-se a principal forma de expressão e símbolo do movimento: as cores verde e amarelo pintada nos rostos dos manifestantes. Por coincidência, as cores que os bobos da corte usavam na Idade Média, também eram verdes e amarelas, as cores dos bufões. Os estudantes brasileiros estavam em revival da Idade Média.

Como desfecho a história nos mostra que a maquiagem existe no mundo desde os seus primórdios, e que a fundamentação de sua utilização vai muito além da estética. A forma como nos maquiamos traduz o lugar ocupado na sociedade, como acontecia na Idade Média, onde os trabalhadores tinham a pele queimada pelo sol e os aristocratas e nobres faziam de tudo para deixar a pele mais branca; traduz também o contexto histórico vivido, como era o caso da maquiagem durante a II Guerra Mundial; e pode ainda ser uma arma para proteção e promoção da saúde, como acontecia no antigo Egito. Muitas eram as possibilidades, motivos e maneiras que existiam para se maquiar ao longo do tempo. O que podemos afirmar é que a maquiagem não era só um artifício de correção de imperfeições e uma máscara através da qual as mulheres buscavam alterar e esconder aspectos da fisionomia, muito mais que isso: nos permite compreender que a maquiagem é uma poderosa forma de expressão pessoal, através da qual é possível coletar muitas informações. A maquiagem varia com o humor, ocasião, personalidade e com o papel que se quer representar.

O enredo não se trata da história da maquiagem, e sim buscar o entendimento que fez com que civilizações antigas e os povos atuais utilizassem da arte de pintar a face e o corpo, para traduzir uma informação, um conceito, uma ideia.