SINOPSE DO ENREDO - PEGA NO SAMBA

"NAS TAÇAS DA HISTORIA O PEGA BRINDA O NECTA DA HUMANIDADE"

 

 

A historia reservou para si o segredo de muitos mistérios, entre eles o do meu surgimento. Não se pode precisar o local e a época em que fui feito pela primeira vez. O certo e que não precisei esperar para ser inventado: eu estava lá desde tempos remotos aguardando o meu momento. Mitos e lendas foram criados ate que os primeiros registros arqueológicos sobre mim viessem á tona. Entre aqueles, contam que durante o dilúvio fui levado em uma barca ao monte Ararat por Noé e ali pude me desenvolver e me espalhar pelo mundo. De fato, meu registro mais antigo conhecido foi ali encontrado, região hoje conhecida como Cáucaso.

Desci a montanha levado á Mesopotâmia onde me tornei apreciado e celebrado entre taças e frascos de ouro, até que Hammurabi regulasse o meu uso, pois eu causava um prazer viciante que era visto como subversivo e perigoso.

No Egito fui à alegria das festas, fonte de elegância e prazer licencioso. Minha importância atingiu tal sublimidade que fui eternizado através de pintura e acompanhante obrigatório de faraós e sacerdotes em sua passagem para o mundo do além.

Foram, contudo, os fenícios os que levaram por todas as partes do mundo até então conhecida. Em seus braços cruzei o Mediterrâneo até alcançar as terras nas quais criei raízes e de onde aportei novos horizontes.

Na Grécia, testemunhei dias de lutas e de Glorias. Minha presença trouxe uma nova dimensão nas relações pessoais e comerciais, proporcionando ambientes festivos, confidenciais e de oportunidades. Lá me atribuíram poderes medicinais e divinos. Guarnecido por Dionísio, animei os banquetes em que suas servas, as Ninfas, ocorriam animadas por meu encanto.

Homero liricamente relatou minha presença em Tróia consolando as tropas que citavam e minha ajuda a Odisseu, quando pus o cíclope Polifemos para dormir para que aquele extraísse seu olho.

Em Roma, condividi a mesa de todos desde o surgimento da primeira padaria no qual todos me encontravam. Em seus palácios incitei aos deleites carnais, aos embates políticos e as guerras. Na vitoria sobre Catargo animei as tropas do General Aníbal e brindei a supremacia romana sobre o mundo.

Com os Gauleses aprendi a conhecer-me e com eles tornei-me famoso e cobiçado. Aprendi a ser refinado, elegante e delicado e compreendi que posso ser doce, suave, seco, amargo para as pessoas.

No Medioevo freqüentei rituais religiosos porque a historia aconteciam entre monges, sacerdotes e bispos. Não lembrava, mas há muitos anos, em uma festa na palestina, um homem chamado Jesus a pedido de uma senhora, Maria, havia feito um milagre do qual participei. Além disso, em uma ceia ele teria eternizado sua presença entre os homens, e eu simbolizaria esse feito. Por isso eu até hoje presente nas cerimônias dessas pessoas.

Assim que soube que navegadores, sairiam Mar e fora para deslumbrar seu horizonte em busca de riquezas, lancei-me com eles nesta aventura. Quanta mudança; quanto aprendizado. Aportei em terras longínquas nas quais encontrei lugares propícios para viver e deixar minhas novas gerações, hoje chamadas America, África, Oceania e Ásia, além de minha querida Europa.

Nesta época, quase perdi a vida. Uma tal de Phylloxera queria acabar comigo. Ela atacou a mim e meus filhos onde quer que estivéssemos. Mas o mundo não podia viver sem mim. Eu era deleite, sua alegria, sua vontade de festejar. Sobrevivi devido à força de meu filho americano, que isento da ação de Phylloxera, ajudou-nos a sobreviver e recuperamos nossa vigor.

Na América, um lugar especial encantou-me pela cordialidade de seu povo e desde então sou lhe fonte de riqueza e prestigio. Cheguei em 1532 com Martin Afonso de Souza e fui apresentado ao lugar por Brás Cubas. Inicialmente quis viver no litoral, mas não foi possível. Adentrei suas terras até que cheguei ao Sul acompanhando meus amigos italianos, os quais fundaram Garibaldi, Bento Gonçalves e Caxias do Sul, onde fiz morada. Grande parte da riqueza da região depende de minha colaboração. Atualmente me assentei em outras paragens, ajudando seus habitantes, como no Vale do São Francisco. Por tudo isso sou muito festejado em toda parte. Em terras brasileiras, meus feitos são celebrados principalmente no Sul a cada dois anos, reunindo a todos para brindarem o calor das emoções que lhes proporciono. Sou lhes fonte de prazer, riqueza e fraternidade. Igualmente do Natal faço parte. Para alguns minha presença é motivo de alegre lembrança religiosa: diz se que sua ceia, Jesus, o mesmo do milagre da água, ofereceu-me como símbolo da nova vida que ele daria a humanidade com sua morte. Por isso quanto no Natal se celebra seu nascimento, fato oposto a este, nada mais justo do que minha presença para dar motivo de alegria e prazer a todos. Para outros. Minha presença é sinal de partilha, alegria e fonte de esperança nesta festa universal. Para mim, o que importa é esta presente levando alegria e prazer para todos. Contudo sempre com moderação e parcimônia.

E minha história continua perpassando a grande História. Sou seu testemunho desde de séculos vindouros. Onde quer que haja o humano sempre estarei presente oferecendo-lhe meu prazeroso néctar que consola, apraz e enriquece, pois conto Vinho...

Nas taças da História sou o Néctar da Humanidade!