SINOPSE DO ENREDO - BOA VISTA

SOB A LUZ DO LUAR, GUIADA PELAS ESTRELAS, BOA VISTA EM ALMA CIGANA. OPATCHÁ!


A história dos CIGANOS, também conhecido como “Povo das Estrelas” é toda baseada em suposições. Onde, a única certeza que existe nesta jornada interminável é que nunca faltarão o preconceito, medo, injustiças, fascínio e alegrias.

A saga cigana, provavelmente e possivelmente, começou na “ÍNDIA” no século XI. Quando o sultão Persa Mahamoud Ghazni invade e domina o norte do país, obrigando uma casta de “caldeireiros e músicos” a abandonar o país. De lá, seguiram para Pérsia e posteriormente para Europa. Utilizando suas habilidades de comerciantes para facilitar sua caminhada, pois como viajantes e peregrinos tinham acesso a objetos “maravilhosos e diferentes” dos lugares por onde passavam, além de conseguir carregar a sua forma de sustento em uma mala, sempre que a “caravana” precisasse levantar acampamento.

O contato com o Ocidente trouxe conflitos para este povo,pois tinham pele escura, muitos filhos, uma língua indecifrável e origem desconhecida. Por isso sofreram todo tipo de perseguições: religiosa, política, cultural e racial. A falta de oportunidade de emprego pode ter sido a causa do “destino” artístico pela Europa. Considerados “magos e feiticeiros”, e, então, as mulheres passaram a “ler as mãos, prever o futuro ou damas de companhia”.

Na Europa, foram perseguidos durante séculos. Escravizados por muitos anos, expulsos da Península Ibérica, varridos da França e Inglaterra. Acredita-se que muitos ciganos no passado foram exterminados no holocausto nazista. E ate hoje sofrem diversas formas de segregação, causando grande sofrimento ao povo viajante.

Em 1574, na terra Brasilis, os ciganos chegam como degredados, açoitados sob o reinado de D. Sebastião que desejava se livrar da “inundação de gente tão ociosa e prejudicial por sua vida e costumes” (Pieroni,2005). Com uma cultura extremamente rica, os degredados mostram sua cultura desde a chegada dos primeiros ciganos ao Brasil.

Posteriormente, mais ciganos chegaram com a corte de D. João VI. Ourives, músicos, dançarinas, feiticeiras, negociantes e artistas. Assim passaram a difundir seus conhecimentos e costumes como a dança, alem dos tachos de cobre e de ferro e de bules e chaleiras, já que eram grandes ferreiros.

SER CIGANO

A identidade cigana é dividida mundialmente em três etnias - Rom, Calon e Sinti – cada uma delas com dialetos muito diferentes uns dos outros.

Enquanto o povo Sinti se estabeleceu na Alemanha, o Calon em Portugal e Espanha, e o Rom, maior grupo, o que melhor preserva suas tradições.

Nem todos são nômades, nem todos falam a mesma língua (Romani), Nem todos dançam ao redor da fogueira ou usam roupas coloridas. O que fazem ser cigano é o espírito viajante: não criam raízes, não pertencem a um único lugar. São amantes da liberdade, por isso, alguns ciganos vivem em Andanças.
A sociedade cigana é patriarcal. Quando casa, o homem cigano vira o responsável pelo lar. A comunidade cigana sempre e organizada em torno do homem, um líder, nomeado por mérito e não por herança.

A mulher cigana passa a morar com a família do marido. A pureza da noiva festejada em uma longa festa de casamento.

Ser cigano é também falar com o olhar. Não se foge do olhar: ele revela, esconde ou desvenda. Passado, presente e futuro se encontram. São olhos misteriosos, indecifráveis e muito fascinantes. Que também convidam às festas.

Guitarras, violinos, violões, acordeões, címbalos, castanholas e pandeiros tocando, moedas tilintando, corpos dançando, palmas e pés acompanhando o brilho cintilante da lua cheia e reverenciando sua grande madrinha. Desde pequenos, escutam e dançam seguidilhas, rumba, e flamenco entre outros ritmos tradicionais.

Fieis respeitadores aos ciclos da mãe natureza. Pois este é o período mais importante para o povo cigano. O misticismo também faz parte dos hábitos da vida cigana, acreditam em um único Deus. O Culto aos antepassados, a reencarnação, mau-olhado e a força do destino também nunca são esquecidos.

Os mestres de cura, ou xamãs, são geralmente mulheres da tribo com dons de/para normalidade, que usam ervas, chás e toques curativos, pois o misticismo e a religiosidade fazem parte de todos os hábitos da vida cigana.

A figura feminina tem sua importância e é comum haver lideranças como as “bibi-tias, tias conselheiras”, geralmente consultadas para que, através a leitura das mãos, baralhos ciganos, bolas de cristal, além de diversas outras formas de magia.

Traço marcante, notoriamente fundamentada na sociedade patriarcal da cultura cigana ocorre quando em um acampamento cigano um ente querido morre todo o bando “sente” a morte. O corpo do falecido é lavado, untado com ervas aromáticas e vestido adequadamente. O sofrimento e a cumplicidade é importante para identidade do grupo. Para os ciganos a morte é o momento de encontrar a sua alma naturalmente viajante.

Alguns grupos eliminam os pertences do morto. Não se resgata o passado, por isso nada é guardado. Ate um novo acampamento poder ser encontrado. Novamante... Andanças.

Os ciganos são conhecidos pelas suas habilidades comerciais, além de serem respeitados no trabalho com metal. No passado eram também bons ferreiros e negociantes de cavalos, circenses, exibidores de feras amestradas, ambulantes, feirantes e outros.

Vários artistas do velho e novo mundo utilizaram e citaram referencias ciganas em suas obras. Na literatura, por exemplo, Vitor Hugo em seu “o Corcunda de Notre Dame” escreve sobre a devoção de Quasímodo pela bela cigana Esmeralda. Machado de Assis nos apresenta sua bela Capitu com “olhos de cigana obliqua e dissimulada”. No erudito a Ópera Carmem, de Georges Bizet, cigana rebelde, indomável, sedutora e fatal, que ora se revela carismática, alegre e generosa, ora se mostra perversa, cruel, e vingativa, capaz de enfeitiçar e escravizar os homens que se arrastavam aos seus pés.

Enfim... Devido seu estilo exótico e nômade os ciganos levaram sua cultura a cada lugar que passaram, desenvolveram muitas artes, trazendo poesia e a musicalidade no “sangue”.

Vamos deixar a folia levar nossa alma em busca da felicidade nos transformando em verdadeiros boêmios da vida; do amor em viver em comunidade repartindo o pão as alegrias e aflições; da lealdade por não abandonar um irmão, nunca negar o ombro amigo, a mão forte e o incentivo à luta, quando este irmão precisar; da riqueza, que nos consiste em ter apenas o suficiente para seguir pela estrada da vida; da nobreza em fazer da cada humilhação um incentivo ao perdão; do orgulho por nunca ter participado de guerras e nunca ter se armado para matar outros humanos e da humildade que faz com que os ciganos não se importem em ser súditos ou nobres, importem, apenas , em saber servir e viver.

Eis que nesse momento a Independente de Boa Vista e sua AGUIA (SÍMBOLO DA ESCOLA), chagam com a força mística do povo das estrelas, muito trabalho, determinação e Fé, se rendem à saga cigana e fazem dela a sua vontade de vencer, saúda a todo o público do jeito abrasileirado de pronunciar e escrever: OPATCHÁ!


Salve!